Um Natal além das religiões


La Vergine che adora il Bambino - Antonio Allegri Correggio. Foto: Afonso Nilson


Hoje é Natal, e convém sempre lembrar os princípios cristãos de amor ao próximo de maneira irrestrita. Ou seja, sem distinção, todas e todos são passíveis de amarem e serem amados.


Isso inclui o amor aos estrangeiros, não apenas italianos e alemães, pois é fácil demais amar as avós, mas os haitianos, os venezuelanos, os colombianos e africanos que anualmente chegam ao Brasil em busca de dignidade e oportunidades. Afinal, para quem acredita no Natal, a data relembra a fuga de estrangeiros que sem o amor dos moradores locais foram forçados se hospedarem em uma estrebaria, para junto com os animais, dar a luz ao salvador da humanidade.


O amor ao próximo também não se limita a gêneros específicos. Segundo as orientações do Novo Testamento, que teoricamente aboliu o ódio para dar lugar ao amor e ao perdão universal, todos estão aptos para serem amados e salvos. Ou seja, paz a todos os homens de boa vontade, mas também às mulheres, aos transgêneros, aos gays, às lésbicas e todas as pessoas, independentemente de cor, gênero, origem, orientação sexual e ideologia política.


Falando nisso, é muito conveniente lembrar a todo cidadão que se diz de bem, defensor da família, que fica dizendo que bandido bom é bandido morto e votou em candidatos fascistas nas últimas eleições, que o Cristo foi um convicto defensor dos mais humildes, dos pobres, dos excluídos da sociedade. Que esse palestino errante que viveu de cidade em cidade contando com a boa acolhida de estranhos, lutou contra as injustiças do Estado, contra a fúria dos ditadores e contra juízes parciais e corruptos, que no fim, o condenaram à morte. Sim, Jesus foi um rebelde de marca maior, mas também um humanista e um contraventor condenado.


Com isso em mente, desejo um Natal mais humano, mais cristão em um sentido primitivo da palavra, com menos ostentações e mais demonstrações de afeto e caridade. Um Natal onde o legado humanitário de Cristo seja superior ao ideal limitado e restrito das religiões que em seu nome pregam a violência e o ódio.


Desejo um Natal diferente do ano de 2019, em que obscurantistas e fascistas assumiram o poder pelo voto. Desejo um Natal generoso e honesto, em que a tolerância possa andar ao lado da fé de cada um, pois só assim conseguiremos nos aproximar de algo ao menos parecido com o amor de Cristo. 



#natal, #correggio,


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