Diálogos interamericanos

Atualizado: 14 de Ago de 2019

Coleção de textos teatrais latino-americanos diminui lacuna cultural no diálogo artístico entre países da América Latina



O afastamento cultural entre o Brasil e os outros países da América Latina é

bem maior do que a distância geográfica, principalmente quando se trata de

acesso recíproco ao que se produz nos países do continente. Falando

especificamente sobre publicações de dramaturgia, vertente que atinge um público

bastante restrito, menor do que o de literaturas não dramáticas, como romances,

teoria teatral ou poesia, por exemplo, esse afastamento é ainda maior. Raros autores

latino-americanos de língua espanhola são publicados no Brasil, e desse conjunto,

os dramaturgos acabam sendo escassos. O mesmo se dá com autores brasileiros

e suas parcas participações no mercado editorial de língua hispânica na América

Latina.





Nesse sentido, uma iniciativa marcante de tradução e publicação é a coleção

P.E.R.I.F.É.R.I.C.O, que através da Escola Sesc de Ensino Médio, a Esem, no Rio

de Janeiro, publica sistematicamente dramaturgia de países latinos de língua

hispânica. O projeto já está em sua 4ª edição, tendo lançado até agora 15 autores

em traduções inéditas.


É muito mais comum o público brasileiro ter acesso a publicações da cena

de Espanha, como a já esgotada Nova dramaturgia espanhola, da 7Letras, ou a

coleção de novos autores espanhóis recentemente publicada pela Cobogó. Mas

textos teatrais argentinos, uruguaios ou mexicanos são raridade absoluta entre as

editoras nacionais. Isso não quer dizer que encenações desses autores sejam

inéditas no Brasil. Montagens de textos latino-americanos podem não ser tão

frequentes quanto às de autores de língua inglesa ou francesa. Entretanto,

dramaturgos como Daniel Veronese, Gustavo Ott, Eduardo Pavlovsky e Griselda

Gambaro, entre outros latino-americanos, acabam por ter também sua participação

na cena contemporânea brasileira.





Em um rápido panorama, apenas sobre encenações catarinenses de autores

latino-americanos, teremos o argentino Eduardo Pavlovsky, com Pavlov, encenado

pelo Grupo Teatro em Trâmite em 2013; Daniel Veronese, que teve encenados

Álbum sistemático da infância, Líquido tátil e Women’s pela Cia. Experiência

Subterrânea, respectivamente em 1997, 2002 e 2009; a importantíssima e ainda

inédita em português Griselda Gambaro, com A ingênua, Cia. Téspis, em 2008; e

o venezuelano Gustavo Ott, com Dois amores e um bicho, pela Cia. Experimentus

Teatrais, em 2010; e Passport, pela Cia. Rústico Teatral, em 2011, apenas para

citar algumas peças de maior circulação e relevância. Acontece, salvo engano, que

apesar das traduções originais, à época das encenações, nenhum desses autores

havia sido publicado em português.


É nesse sentido que a coleção P.E.R.I.F.É.R.I.C.O. supre uma lacuna

importante no acesso à literatura dramática latino-americana publicada no Brasil.

Em sua primeira edição, de 2012, foram traduzidos os textos Dois amores e um

bicho, de Gustavo Ott (Venezuela, tradução de Carlito Azevedo); Daniel e os leões,

de Maikel Rodrígues de la Cruz (Cuba, tradução de Pedro Freire); Desaparecidos,

de Claudia Eid Asbún (Bolívia, tradução de Ieda Magri) e Papai está na Atlântida,