Desrespeito ao patrimônio histórico


No último dia 10 de dezembro a prefeitura municipal da cidade de Lages, terra natal de minha mãe e avós, demoliu um monumento histórico localizado na praça João Ribeiro, em frente à catedral metropolitana.




O patrimônio histórico de uma cidade é muito mais do que um conjunto arquitetônico para incentivo ao turismo, ou para servir de belos cenários para fotos. Diz respeito à identidade de um povo, ao modo como as pessoas do lugar se identificam e se desenvolvem como cidadãs. É por isso que a destruição do monumento em homenagem à Getúlio Vargas, na praça João Ribeiro, é um desrespeito e uma agressão a todos os lageanos e lageanas. 


Inicialmente, a intenção noticiada, também despropositada, era a remoção do monumento para dar visibilidade à catedral. Ora, o que atrapalha a visibilidade da catedral é o prédio de apartamentos gigantesco, que em nada dialoga com o conjunto arquitetônico e destoa agressivamente com a região repleta de casarios antigos. O edifício sim, por seu tamanho e desproporção, faz com que a catedral perca sua magnitude e permaneça à sobra do desenvolvimentismo canhestro e imprevidente de algumas administrações públicas passadas. 


O monumento à Getúlio Vargas, por sua vez, estava inserido em uma praça com detalhes modernistas em seu passeio, que dialogavam e se complementavam belamente em sua estrutura. Um monumento com mais de 60 anos, presente no imaginário da cidade, destruído arbitrariamente, irresponsavelmente, sem aceite ou comunicação aos munícipes. Um desrespeito, uma afronta a toda população. 


É triste, todavia, constatar que Lages, outrora uma das capitais culturais de Santa Catarina, berço de escritores importantes, artistas de renome, de uma classe política intelectual e competente, agora se vê à mercê de uma administração pública que destrói o patrimônio histórico à revelia da população.

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